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abril 10, 2012

Impunidade nacional abre caminho para atos incompreensíveis no vôlei

A Superliga 2011/2012 pode ser considera a edição mais equilibrada de todos os tempos, mas também a mais problemática fora de quadra. Atos de racismo e ameaças começaram a surgir em um ambiente que sempre foi familiar e de confraternização entre jogadores, torcedores, dirigentes e imprensa. Na última semana, mais um caso absurdo aconteceu envolvendo um atleta e (acredite) a família dele, após o jogo entre Sada/Cruzeiro e Vivo/Minas. 

Segundo relatos do blog Amigos do Esporte, em um restaurante, o central Henrique, do Vivo/Minas, jantava com sua esposa e o filho, quando um grupo de torcedores do Cruzeiro chegou e começou a provocar o atleta. Discussões e ameaças foram algumas questões abordadas no depoimento, mas o que fica é que mais uma vez a impunidade nacional vem aparecendo no voleibol. 

Primeiro foi o caso envolvendo Michael, do Vôlei Futuro, na partida semifinal da edição passada da Superliga, contra o Sada/Cruzeiro. Depois, Wallace sofrendo atos de racismo diante do Vivo/Minas. Agora, Henrique é ameaçado por um grupo de torcedores. Será que estamos colocando a cultura ‘errada’ do futebol no vôlei ou que a impunidade é tamanha no Brasil que algumas pessoas continuam agindo dessa maneira, pois sabem que nada vai acontecer. 

Sendo assim, o Espaço do Vôlei não fará campanhas sobre como torcer nos ginásios ou de paz nas arquibancadas. Nosso interesse está em conscientizar quem tem poder para agir, ou seja, os órgãos competentes. Um exemplo está no caso envolvendo Wallace e a mulher que o ofendeu, pois se os seguranças da Arena tivessem localizado a pessoa, teriam duas missões. A primeira retirá-la do ginásio e a segunda entregar as autoridades locais, já que racismo é crime no Brasil. 

Talvez algumas pessoas achem que estamos pegando pesado demais. Agora pensem conosco, se hoje existe impunidade no trânsito, na política e, principalmente, para criminosos, não devemos deixar que o vôlei, algo que ganhou seu espaço aos poucos no país, seja conhecido por atos como os relatados antes. Quem tem que levantar a bola e cortar são os dirigentes dos clubes, a CBV e a imprensa, porém a fiscalização fica por conta dos bons torcedores. Vaiar é uma coisa, ofender é outra completamente diferente. 

foto: Douglas Magno/VIPCOMM
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